Contra Sócrates

Lúcio Álvaro Marques (Organizador)

No Brasil, a história testemunha quatro grandes tentativas de silenciar o pensamento
e, principalmente, o ensino de humanidades: a primeira, os processos de conquistas
material (domínio territorial e escravidão dos corpos de povos originários e
africanos), espiritual (redução das populações à condição de bárbaros carentes de
colonização, catequização, civilização e redução educacional) e simbólica (destruição
e supressão completa dos vestígios culturais e históricos dos povos originários e
africanos) que culminaram na imposição da cultura eurocêntrica totalitária em
detrimento do dominium dos corpos e territórios pelas duas populações e
consequente redução de seus corpos à condição de usum nos meandros da máquina
escravocrata; a segunda, a expulsão dos jesuítas e o desmonte das estruturas de
ensino no período colonial por obra do Marquês de Pombal não apenas colapsou o
ensino quanto ocultou historicamente as fontes documentais por um longo período,
além da recusa lusitana em estender o ensino de algumas faculdades à América
Portuguesa; a terceira, a redefinição e/ou exclusão do ensino de ciências humanas
durante a ditadura militar (1964-85) mediante a imposição de um sistema
“militarizante” de conhecimento e a revisão completa dos conteúdos com permissão
de ensino; enfim, a quarta encontra-se em curso, por um lado, através da
flexibilização da oferta de humanidades na forma de ensino a distância (EaD)
imposta pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e, por outro, a tentativa do
atual ministro da Educação e do presidente que ameaçam cortar recursos das ciências
humanas e sociais (em maio de 2019) em benefício de ciências que, segundo eles,
teriam maior impacto social. Nesse cenário, complexo e diversificado, os autores dos
escritos ora reunidos foram interpelados por esta questão: por que o Estado não suporta Sócrates?

210p.

ISBN:  978-65-81110-08-6

DOI: 10.36592/978-65-81110-08-6

A palavra do autor na Editora Fundação fênix