Afetividade e Reflexividade: a possibilidade de realização das relações

de tolerância a partir de uma leitura da filosofia de Benedictus de Spinoza

Elainy Costa da Silva

A proposta desta pesquisa consiste em compreender como é possível, a partir da afetividade e da reflexividade, a realização das relações de tolerância no corpo político segundo uma leitura da filosofia de Benedictus de Spinoza, pensador holandês do século XVII. Para isso, e no intuito de traçar o direcionamento do presente trabalho, a problemática levantada visa pensar de que modo é possível a minimização dos conflitos e da intolerância presentes em um corpo político do qual a pluralidade faz parte. Nesse sentido, como hipótese de resposta para tal interrogativa, é necessário a análise de como as relações afetivas estabelecem-se e como o desenvolvimento da reflexividade acontece na estrutura da própria afetividade humana no seio dos afetos alegres, em especial, a partir da alegria passiva, que é identificada como um afeto indicador e transformador dada a sua característica paradoxal, ou seja, de ser causa indireta de tristeza, que conduz os seres humanos a questionarem suas alegrias vividas e, consequentemente, buscarem uma alegria de nova ordem, a alegria ativa. A experimentação dessa alegria ativa é propriamente o desenvolvimento da reflexividade, isto é, quando o ato de compreender é sentido como uma alegria mais forte e contrária do que as alegrias passivas. Em outras palavras, quando o ser humano é causa total da sua própria alegria. É a partir do desenvolvimento da reflexividade, ou melhor, do exercício reflexivo, que a tolerância pode encontrar sua possibilidade de construção e, assim, ser concebida como uma ação ou atividade em sentido spinozano. Isso significa que quando os seres humanos tornam-se causa adequada do que fazem, pensam e sentem, o ato tolerante pode efetivamente realiza-se, não na conotação de incômodo ou sofrimento na relação com o outro, já que desse modo não há fortalecimento das relações inter-humanas, mas na compreensão dos próprios afetos que alguém experimenta e daquilo que o afeta (o outro), isto é, no entendimento de que a dinâmica afetiva distingue-se de um ser humano para outro e que a experimentação das alegrias é fundamental para que os seres humanos possam tornar-se  ativos.

236p.

ISBN – 978-65-87424-22-4