Diagnóstico do tempo: implicações éticas, políticas e sociais da pandemia

 

Evandro Pontel, Fabio Caires Correia, Jair Tauchen, Olmaro Paulo Mass e Oneide Perius (orgs)

A recente pandemia enfrentada globalmente se estabelece, além de sua condição de tragédia humana praticamente incomensurável, sabida e percebida em todos os recantos deste vasto mundo, como algo mais – a saber, como uma peculiar configuração sintomática de uma ordem muito especial, e com consequências potencialmente extraordinárias em termos civilizatórios. O bioma arde em febre, pois o vírus, invisível e mortal, está em todos os lugares; algo desabou: uma ideia de mundo, um estilo de esperança – e, como sabemos, “quando a construção de um mundo desaba, são soterrados também os pensamentos que a haviam arquitetado e os sonhos que a habitavam” (Rosenzweig). O vírus está na nossa mente, como está nos pretensos fundamentos intocáveis da modernidade. Incrustou-se no logos acostumado a fazer da Alteridade uma função ou projeção sua. Uma era chega ao fim. Porém, “pensar é transpor”, já disse E. Bloch. É exatamente a crise da racionalidade – uma crise da hegemonia da racionalidade idolátrica, na qual temos estado imersos há muito tempo, uma racionalidade que idolatra ideias suaves, pensamentos mágicos e conciliações impossíveis – que oportuniza a sua transformação em crítica da realidade. E essa tarefa árdua é que une a multiplicidade de textos do presente livro. Desde prismas diversos ao extremo, é o mergulho na convulsão temporal que os irmana. O estilo específico de cada um converge no sentido de uma viagem de (ainda) sobre-vivência, um mergulho no porvir concreto, sem o qual estamos todos condenados. O resto pode esperar. Esse tema, não. Que este livro ache muitíssimos que o mereçam, é o que posso desejar.

Ricardo Timm de Souza

662p.

ISBN – 978-65-87424-46-0