UTOPIAS AUTÔNOMAS A Singularidade da Ars Inveniendi

Nelson Costa Fossatti

O presente estudo aborda as contingências da arte inventiva [Ars inveniendi], tendo como referência a esfera das utopias concretas desenvolvida por Ernst Bloch em sua obra Princípio Esperança. Na concepção de Nelson Fossatti o nível de contingências gerado pelo dinamismo cego da natureza tensiona a esperança esclarecida [docta spes] e os artefatos desenvolvidos pelo homo utopicus. A natureza assume um comportamento potencialmente passivo, bem como potencialmente ativo. Na sua efetividade alcança um grau de autonomia singular e passa a responder por “natureza geradora de natureza”, natura naturans, determinando, desta forma, a dimensão das utopias-autônomas. A autonomia dessas utopias responde por eventos não previsíveis, inconsequentes, que podem ameaçar o futuro da humanidade. De outro lado, a radicalização do antropocentrismo desconhece a linguagem da natureza, acentuando a distância entre homem e natureza. Esse estudo tem como objetivo propor uma forma de exteriorizar a subjetividade da natureza, ou seja, de recorrer a um método que permita integrar homem e natureza no ambiente cosmocêntrico, a fim de determinar possível reconciliação ética da unidade originária. Destarte, a metodologia adotada recepciona, o pensamento de Bloch, Henri Bergson e Hans Jonas. Nesta condição recorre ao conceito da física ótica, o princípio do caminho inverso, adotando como referência a obra de Schelling “Filosofia da Natureza”. A maioria dos filósofos de sua época parte do seu eu consciente para o objeto e faz na sua consciência representação do real. Schelling percorre o caminho inverso: faz o objeto vir à consciência do ser humano e recepciona na sua consciência a representação do real. A perspectiva inaugurada neste estudo permite identificar uma forma de manifestação da natureza na sua potencialidade passiva e ativa, bem como, aponta ausência de fundamentos éticos, ainda não apropriados pelos imperativos categóricos da unidade originária. Verifica-se máxima que propõe a universalidade, só encontra fundamento na racionalidade do sujeito moral, neste sentido, não contempla a subjetividade da natureza. Confabular com a subjetividade da natureza pressupõe uma reflexão no tempo passado e contínuo, um “vir-a-ser”, durée, inerente à evolução da unidade originária, portanto, um “ainda-não” [noch-nicht] aberto ao futuro.    

122p.
ISBN – 978-65-87424-36-1